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'Purple drank': aluno que bebeu mistura de álcool e remédios em escola demorou 30 horas para acordar, diz mãe

Médico alerta sobre os perigos de misturar bebida alcoólica com remédios. O adolescente que bebeu uma mistura de bebida alcoólica e remédios (entenda mais ...

'Purple drank': aluno que bebeu mistura de álcool e remédios em escola demorou 30 horas para acordar, diz mãe
'Purple drank': aluno que bebeu mistura de álcool e remédios em escola demorou 30 horas para acordar, diz mãe (Foto: Reprodução)

Médico alerta sobre os perigos de misturar bebida alcoólica com remédios. O adolescente que bebeu uma mistura de bebida alcoólica e remédios (entenda mais abaixo) em uma escola de Fortaleza levou mais de um dia para acordar e apresentar diminuição dos efeitos. O caso aconteceu na última quinta-feira (21). O g1 conversou com a mãe dele, que não será identificada, neste sábado (23). O caso é investigado pela Polícia Civil do Ceará. 💡 ‘Purple drank’ ou ‘lean’: em português, um dos apelidos da mistura significa “bebida roxa”. A mistura é elaborada com codeína, fármacos anti-inflamatórios e refrigerante. A mistura pode levar à morte. A origem da bebida seria dos Estados Unidos da América. O jovem precisou ser internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital particular de Fortaleza. Ele seguia internado até este sábado, pois precisava ser medicado e monitorado pela equipe médica, especialmente devido à baixa frequência cardíaca. “Ele ainda está com lentidão, não está 100%. O médico fez uns testes hoje [sábado], mas ele não conseguiu se sair bem em todos. Ele foi acordar meio-dia de ontem [sexta]... Depois de 30 horas”, disse a mãe do adolescente. O caso aconteceu no Colégio Antares, na unidade localizada no bairro Papicu, em Fortaleza. Em nota, o colégio disse que o caso “está sendo devidamente tratado”. “Assim que a situação foi identificada, a escola acionou as famílias dos envolvidos, providenciou o encaminhamento médico necessário e registrou boletim de ocorrência junto às autoridades competentes", acrescentou. Internação na UTI A mãe disse que a mistura deixou o filho "completamente desorientado". Assim que souberam do caso, os pais levaram o jovem a um hospital da capital. Desde quinta-feira (21), ele precisou ficar internado na UTI. “Ele está mais orientado, já está acordado, conseguindo se alimentar um pouquinho. E o que mantém ele [na UTI] é porque ele ainda precisa manter a frequência cardíaca estável. Ele está tomando umas medicações para isso. Depois tem que fazer o desmame”, explicou a mulher, que trabalha como arquiteta. “Deram adrenalina para poder tornar, que aí foi o que manteve a frequência. Ele não saiu ainda, porque ele não consegue se manter bem sem essas medicações. Mas assim, clinicamente, ele está bem”, complementou. Mãe faz alerta Quando recebeu a informação de que o filho estava mal na escola, a arquiteta foi informada inicialmente que o filho estava bêbado. Ela disse que o caso pegou a família de surpresa, especialmente porque ela e o marido (pai do adolescente) não bebem. Então, quando a escola a contactou alegando que o filho estaria bêbado, ela estranhou até mesmo a origem da suposta bebida. Ela disse também que o filho é um garoto tranquilo, que nunca teve problemas com uso de substâncias lícitas ou ilícitas. Com isso, a mãe alertou que é necessário que os pais reforcem a atenção com os filhos. “[Nas redes sociais], as pessoas falam: ‘Ah, isso são pais ausentes, que esse menino aceitou isso porque não tem a presença dos pais. Nós somos muito presentes. Então, não é porque você é um pai presente que lhe deixa imune a acontecer esse tipo de coisa. A vigilância tem que ser muito grande”, reforçou. “Tem coisas que não dependem dos pais. Tem horas que os filhos vão ter que fazer as escolhas, vão ter que dar os limites deles. O ‘sim’ ou o ‘não’. Está fora das nossas mãos. Por mais que a gente oriente, proteja, cuide…”, complementou a arquiteta. Investigação do caso Colégio Antares no bairro Papicu, em Fortaleza. Street View/Google Maps A Secretaria da Segurança Pública do Ceará informou que equipes da Polícia Militar foram chamadas para atender uma ocorrência em uma escola particular do bairro Papicu. Na ocasião, policiais do Comando de Prevenção e Apoio às Comunidades (Copac) compareceram à escola e acompanharam a ocorrência. Pessoas que estavam na instituição de ensino foram encaminhadas para a Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA) para prestar depoimento sobre o caso. O Colégio Antares disse ainda que “colabora integralmente com as autoridades responsáveis pela apuração dos fatos. Em respeito aos envolvidos e ao processo em curso, não serão prestadas informações adicionais neste momento”. ‘Purple drank’ ou ‘lean’ O médico Bruno Cavalcante publicou um alerta nas redes sociais, nesta quinta-feira, após o atendimento ao adolescente. “Ele apresentava sinais que estava um pouco desorientado, parecendo algo como embriaguez”, disse. “Mas a questão não é que ele não parecia só bêbado, ele parecia estar muito letárgico, não falava coisa com coisa, não conseguia reconhecer as pessoas. Quando a gente foi tentar entender o que aconteceu, um dos colegas levou para o colégio uma mistura de bebida alcoólica com gin, com alguns anti-histamínicos diferentes, de três classes diferentes; um deles sendo fenergan, com dipirona, com ibuprofeno, e com cinco outras medicações, medicações”, detalhou o médico. Bruno explicou que a mistura dos medicamentos, aparentemente inofensivos e usuais, é potencializada quando somada ao álcool. “Acaba levando, catalizando, potencializando o efeito desses anti-histamínicos”, explicou. “Com esse efeito de sedação, o cérebro desacelera, a respiração também desacelera, mas a pressão cai, o paciente pode até entrar em coma, pode até parar”, complementou. O “lean” ou “purple drank” se popularizou principalmente entre as populações mais jovens. “Você que é pai, você que é mãe, a maior preocupação não é só o cheiro da bebida alcoólica no filho não. É perceber alguns outros sinais, uma sonolência excessiva, que o paciente não consegue ficar acordado, não consegue andar. Além disso, ele começa a ter a fala muito desarticulada, e ele fica desorientado”, alertou Bruno Cavalcante. “Se você perceber que, na sua casa, algumas medicações do dia a dia estão faltando, como essas medicações que eu citei anteriormente, preste atenção”, reforçou o médico. Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:

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